O cenário digital atual é marcado por ameaças cibernéticas cada vez mais sofisticadas, que exigem das empresas não apenas medidas de proteção reativas, mas também a capacidade de antecipar riscos. A Cyber Threat Intelligence (CTI) se destaca como uma disciplina estratégica que transforma dados sobre ameaças em conhecimento acionável, apoiando a tomada de decisão corporativa. Para empresas de todos os portes, investir nessa solução é uma maneira de reduzir vulnerabilidades e aumentar a resiliência digital.
A Inteligência de Ameaças Cibernéticas permite que as equipes de segurança tomem decisões baseadas em dados. Com isso, as organizações passam de uma postura apenas reativa para uma atuação proativa na defesa contra ameaças cibernéticas.
Para se aprofundar mais na estratégia de CTI, neste conteúdo, você vai entender como funciona o seu ciclo de vida e quais são os tipos de inteligência que podem ser utilizados. Também vai conhecer quais são os benefícios trazidos para organizações de diferentes portes, incluindo aquelas de pequeno porte, que podem conseguir vantagens competitivas ao adotar a solução. Continue a leitura!
Ciclo de vida da Cyber Threat Intelligence
O ciclo de vida da Cyber Threat Intelligence é um processo contínuo de transformação de dados brutos em inteligência acionável, orientando as equipes de segurança a tomar decisões informadas. Os detalhes podem variar de uma organização para outra, mas a maioria das equipes segue alguma versão do ciclo, que consiste em seis etapas principais, cada sempre buscando a melhoria contínua:
1. Planejamento
É fundamental a etapa de definição dos objetivos e da metodologia do programa de Inteligência de Ameaças Cibernéticas, alinhando-os às necessidades das partes interessadas. As principais questões incluem a compreensão das motivações do invasor, a identificação da superfície de ataque e o delineamento de ações para aprimorar as defesas.
Os analistas de segurança trabalham com stakeholders organizacionais para definir os requisitos de inteligência. Dentre eles, estão líderes executivos, chefes de departamento, membros de equipes de TI e segurança e qualquer outra pessoa envolvida na tomada de decisões de cibersegurança.
Os requisitos de inteligência são, essencialmente, as perguntas que a inteligência de ameaças deve responder para os stakeholders. Dentre elas, o diretor de segurança da informação pode querer saber se um novo tipo de ransomware amplamente divulgado pode afetar a organização.
2. Coleta de dados de ameaças
O objetivo desta etapa do ciclo de vida do CTI é reunir informações de fontes como registros de tráfego, dados públicos, fóruns, mídias sociais e especialistas no assunto para atender aos requisitos definidos pela inteligência e responder às perguntas dos stakeholders.
Um exemplo é, se uma equipe de segurança estiver investigando uma nova variedade de ransomware, ela poderá coletar informações sobre a quadrilha de ransomware por trás dos ataques. Além disso, também analisaria os tipos de organizações que foram alvo no passado e os vetores de ataque que exploraram para infectar vítimas anteriores.
Esses dados de ameaças podem ser provenientes de várias fontes e algumas das mais comuns são:
- Feeds de inteligência de ameaças: fluxos de informações sobre ameaças em tempo real;
- Comunidades de compartilhamento de informações: fóruns, associações profissionais e outras comunidades nas quais os analistas compartilham experiências, insights, dados de ameaças e outras informações em primeira mão;
- Logs de segurança interna: fornecem um registro das ameaças e ataques cibernéticos que a organização enfrentou e podem ajudar a descobrir evidências anteriormente não reconhecidas de ameaças internas ou externas.
3. Processamento
Nesta fase da Cyber Threat Intelligence (CTI), os analistas de segurança agregam, padronizam e correlacionam os dados brutos coletados para facilitar a análise. O objetivo é organizar e limpar dados brutos em um formato adequado para análise, o que pode incluir descriptografar arquivos, traduzir dados estrangeiros ou formatá-los em planilhas e gráficos. O processamento pode incluir a aplicação do MITRE ATT&CK ou outro framework de inteligência de ameaças para contextualizar dados, filtrar falsos positivos e agrupar incidentes semelhantes.
Muitas ferramentas de inteligência de ameaças automatizam esse processamento usando inteligência artificial (IA) e aprendizado de máquina para correlacionar informações de ameaças de várias fontes e identificar tendências ou padrões iniciais nos dados. Algumas plataformas de inteligência de ameaças agora incorporam modelos de IA generativa que ajudam a interpretar os dados de ameaças e a gerar etapas de ação com base em sua análise.
4. Análise
A análise é o ponto em que os dados processados e informações de ameaças formam a verdadeira Inteligência de Ameaças Cibernéticas. Nessa fase, os analistas de segurança respondem a perguntas feitas na fase de requisitos e extraem os insights necessários para atender aos requisitos e planejar as próximas etapas.
Dentre as possibilidades, os analistas de segurança podem descobrir que a quadrilha ligada a uma nova variedade de ransomware tem como alvo outras empresas do setor da organização. Isso indica que esse tipo de ransomware também pode ser um problema para a organização. Com essas informações, a equipe pode identificar vulnerabilidades na infraestrutura de TI da organização que a quadrilha pode explorar e os controles de segurança que podem usar para mitigar essas vulnerabilidades.
5. Ação
Neste momento, a equipe de segurança compartilha seus insights e recomendações com os stakeholders apropriados. É importante apresentar as descobertas em um formato compreensível, adaptado ao público interessado, com relatórios ou slides, sem sobrecarregá-los com detalhes técnicos.
Medidas podem ser adotadas com base nessas recomendações, como estabelecer novas regras de detecção de SIEM para direcionar indicadores de ameaças recém-identificados ou atualizar firewalls para bloquear endereços IP e nomes de domínio suspeitos.
Muitas ferramentas de inteligência de ameaças integram e compartilham dados com ferramentas de segurança, como SOARs, XDRs e sistemas de gerenciamento de vulnerabilidades. Essas ferramentas podem usar a Inteligência de Ameaças Cibernéticas para gerar alertas de ataques ativos, atribuir pontuações de risco para priorização de ameaças e acionar outras ações de resposta, sendo esse processo conduzido de forma automática.
6. Feedback
Nesta fase final, os stakeholders e analistas refletem sobre o ciclo de Inteligência de Ameaças Cibernéticas mais recente com o objetivo de determinar se os requisitos foram atendidos. A coleta de feedback das partes interessadas deve ser feita para refinar futuras operações de inteligência de ameaças, ajustar prioridades ou alterar o formato dos relatórios conforme necessário. Todas as novas questões que surgirem ou novas lacunas de inteligência identificadas informarão a próxima rodada do ciclo de vida.
Tipos de inteligência
As equipes de Inteligência de Ameaças Cibernéticas produzem e usam três tipos de inteligência, que apresentam diferentes níveis de complexidade e detalhamento, cada um atendendo a públicos distintos e oferecendo vantagens distintas. Veja:
Inteligência Estratégica
A inteligência estratégica oferece uma perspectiva de alto nível sobre como as ameaças cibernéticas interagem com eventos globais, condições geopolíticas, apontando qual é o lugar de uma organização nesse cenário. Ela oferece aos tomadores de decisão fora da TI, como CEOs e outros executivos, o conhecimento das ameaças cibernéticas que suas organizações enfrentam. Os stakeholders utilizam esse tipo de inteligência para alinhar estratégias e investimentos mais amplos de gerenciamento de riscos da organização com o cenário de ameaças cibernéticas.
Inteligência Tática
A inteligência tática é focada no futuro imediato e seu objetivo é ampliar a perspectiva sobre ameaças para abordar questões de segurança subjacentes. Ela auxilia os centros de operações de segurança (SOCs) a prever ataques futuros e a detectar melhor os ataques em curso. Esse tipo de CTI normalmente identifica IoCs comuns, como endereços IP associados a servidores de comando e controle, assuntos de e-mails dos ataques de phishing ou hashes de arquivos de ataques de malware conhecidos.
Inteligência Operacional
A CIT operacional é mais ampla e técnica do que a inteligência de ameaças tática. Além disso, ao contrário da inteligência tática, não é automatizada e requer análise humana para converter dados em insights acionáveis. Ela se concentra em entender os TTPs e os comportamentos dos agentes de ameaças: os vetores de ataque que eles usam, as vulnerabilidades que exploram, os ativos visados e outras características definidoras. Os tomadores de decisão de segurança da informação usam Inteligência de Ameaças Cibernéticas para identificar agentes de ameaças que provavelmente atacarão suas organizações e determinar os controles de segurança e as estratégias que podem impedir efetivamente seus ataques.
Benefícios: por que investir em CTI
Investir em Cyber Threat Intelligence (CTI) garante diversas vantagens para empresas de todos os portes e segmentos, proporcionando uma visão completa sobre as possíveis ameaças. Isso facilita a tomada de decisão não apenas após ataques, mas de forma proativa, antes que eles ocorram. Veja detalhes dos principais benefícios:
- Traz luz ao desconhecido, apontando ameaças ocultas, permitindo que as equipes de segurança tomem decisões mais informadas e se preparem para ataques imprevistos;
- Revela o comportamento do adversário, pois, ao entender os TTPs dos invasores, os profissionais de segurança têm insights sobre os processos de tomada de decisão dos agentes de ameaças, permitindo melhores estratégias de defesa;
- Capacita a tomada de decisões de forma que líderes empresariais como CISOs, CIOs e CTOs podem aproveitar a inteligência de ameaças para tomar decisões de investimento mais informadas, mitigar riscos e melhorar a eficiência operacional;
- Defesa proativa, pois a inteligência de ameaças ajuda as organizações a passarem da reação a incidentes para a antecipação e prevenção proativa de ataques.
Quem se beneficia da inteligência contra ameaças?
Uma das importantes características da Cyber Threat Intelligence (CTI) é o fato de agregar valor crucial para organizações de todos os portes. A solução ajuda essas empresas a entenderem quem são os invasores, a terem como responder mais rapidamente a incidentes e antecipar ameaças de forma proativa. Diferentes funções dentro de uma organização se beneficiam da inteligência de ameaças. Veja:
1. Pequenas e Médias Empresas (PMEs)
São negócios que, geralmente, não têm recursos para desenvolver operações de segurança internas abrangentes. Dessa forma, a CTI auxilia no alcance de nível de proteção que, em outras circunstâncias, não teriam condições de arcar, oferecendo insights que possibilitam a essas empresas priorizar defesas e mitigar riscos;
2. Grandes empresas e companhias
No caso de organizações maiores, que possuem equipes de segurança dedicadas, a Inteligência de Ameaças Cibernéticas diminui custos, reduz o conjunto de habilidades necessárias para o tratamento de incidentes e aumenta a eficácia dos analistas de segurança, já que integra dados externos em suas operações.
Tenha Cyber Threat Intelligence (CTI) com o Prosec!
A Inteligência de Ameaças Cibernéticas é mais que proteção de dados, é uma escolha estratégica que torna as empresas mais competitivas, considerando todas as complexidades e desafios perante a tecnologia. Por isso, contar com um parceiro que seja especialista no assunto faz toda a diferença.
O Blue Team Prosec atua na defesa cibernética de sua empresa, protegendo os seus sistemas e ativos digitais a partir da implementação de medidas de segurança, como firewalls, sistemas de detecção de intrusões e monitoramento de redes. Ele trabalha em conjunto com o Red Team, que simula ataques para identificar vulnerabilidades, de forma que ambos os times se combinam para elevar o nível de cibersegurança de uma organização.